Graça e paz, igreja.
É com temor, responsabilidade e profundo respeito pela Palavra que compartilho aquilo que Deus colocou no meu coração para este tempo. A Escola Bíblica Dominical tem como propósito edificar, trazer clareza, conhecimento e despertar espiritual — e a mensagem de hoje caminha exatamente nessa direção, mas também carrega um forte apelo evangelístico.
Ao meditarmos em Romanos capítulo 1, somos confrontados com uma realidade dura, porém bíblica: o pecado não apenas afasta o homem de Deus, como pode levá-lo a um juízo severo — o abandono de Deus como consequência da prática contínua e consciente do pecado.
A carta aos Romanos é a mais completa exposição do Evangelho. Nela, o apóstolo Paulo trata dos grandes temas da fé cristã: pecado, graça, juízo, salvação, santificação, justiça e esperança. Não é por acaso que homens como Agostinho, Martinho Lutero e John Wesley tiveram suas vidas transformadas por essa epístola. Romanos é essencial para a saúde espiritual do indivíduo e da Igreja.
O texto de Romanos 1 nos mostra que a humanidade, embora criada à imagem e semelhança de Deus, caiu em profunda corrupção moral. O homem, por natureza, é pecador. A Bíblia afirma que estávamos mortos em nossos delitos e pecados, que o coração humano é enganoso e desesperadamente corrupto, e que até nossas melhores obras são como trapos de imundícia diante de um Deus santo.
Todos pecaram. Todos são indesculpáveis diante de Deus.
O que Romanos 1 expõe com clareza é que o juízo de Deus, em muitos casos, se manifesta quando Ele “entrega” o homem aos seus próprios desejos. Essa expressão aparece repetidamente no texto: Deus os entregou. Deus os deixou seguir o caminho que escolheram.
Quando o Espírito de Deus se retira, o homem perde o domínio sobre si mesmo. Perde o freio moral. Perde o discernimento. Perde os limites. E isso é uma das formas mais severas de juízo.
Deus é santo. Ele não tem comunhão com o pecado. Ele é luz, e n’Ele não há treva alguma. Seus decretos são justos, perfeitos e imutáveis. O problema não está em Deus, mas na recusa humana em glorificá-Lo, honrá-Lo e agradecer-Lhe.
Quando o homem rejeita a verdade, rejeita o próprio Cristo. Quando deixa de honrar o Criador, sua mente se obscurece, seus pensamentos se tornam fúteis e seu coração perde a sensibilidade espiritual.
A idolatria moderna não se limita a imagens — ela se manifesta quando o homem coloca seus desejos, vontades e prazeres acima de Deus. O resultado é a degradação moral, especialmente visível na perda do domínio sexual, na imoralidade, na perversão dos afetos e na confusão da mente.
O texto bíblico é claro: Deus entrega o homem àquilo que ele insiste em viver. E o mais alarmante é que, mesmo conhecendo o decreto de Deus, muitos não apenas continuam praticando o pecado, como também aprovam os que o praticam.
Isso é sério.
Vivemos dias de profunda depravação moral, e não podemos tratar isso com banalidade espiritual. A graça de Deus não anula Sua justiça. Aquilo que o homem semeia, isso também colherá. Deus não se deixa escarnecer.
O exemplo de Sansão ilustra essa verdade de forma contundente. Um homem separado, chamado por Deus, mas que brincou com o pecado até o dia em que o Espírito do Senhor se retirou dele — e ele sequer percebeu. Esse é o pior juízo: quando Deus se cala e o homem segue sozinho.
Ainda assim, há esperança.
A mensagem não termina no juízo, mas no arrependimento. O filho pródigo, quando caiu em si, voltou. E Deus continua sendo um Pai que recebe aquele que se arrepende. A Palavra afirma: “Se o buscardes, Ele se deixará achar”. E Jesus declara que jamais lançará fora aquele que vem a Ele.
Este é um chamado para este tempo. Um chamado à santidade. Um chamado ao arrependimento sincero. Um alerta amoroso para abandonarmos práticas que nos afastam de Deus e escolhermos o caminho da vida.
Que este seja um ano marcado por temor, arrependimento, restauração e intimidade com o Senhor. Que não entristeçamos o Espírito Santo. Que sejamos moldados não pelo padrão deste mundo, mas pela Palavra viva de Deus.