Falar de santidade nos dias em que estamos vivendo não é simples. Dentro da igreja, entre irmãos, no ambiente da fé, a palavra santidade ainda encontra acolhimento. Mas, fora daqui, no trabalho, na faculdade, entre amigos e até na família, ela soa estranha, ultrapassada, quase fora de moda. Vivemos em uma sociedade mutável, relativizada, onde valores são constantemente ajustados e tudo parece ser normalizado.
E a grande pergunta é: como servir a um Deus imutável em um mundo tão instável?
A Palavra nos responde de forma clara: “Eu, o Senhor, não mudo” (Malaquias 3:6). Ele é o Alfa e o Ômega, o que é, o que era e o que há de vir. Deus permanece o mesmo, mesmo quando tudo ao nosso redor muda.
Por isso, precisamos entender corretamente o que é santidade. Santidade não é isolamento, não é fuga do mundo, não é se esconder da sociedade, da cultura ou das tecnologias. Santidade é posicionamento. É viver separado para Deus exatamente no tempo e no lugar em que fomos chamados para viver.
Em Êxodo 28, ao falar das vestes sacerdotais, Deus ordena que uma lâmina de ouro fosse colocada na testa do sacerdote com a inscrição: “Santidade ao Senhor”. Aquilo não era um detalhe. Era a marca mais visível. Era a primeira coisa que se via. Santidade não era um acessório, era identidade.
Essa marca revela um princípio espiritual poderoso: a santidade precede a unção. Logo após a lâmina ser colocada, o óleo era derramado. A santidade se torna o canal por onde flui a autoridade divina. Autoridade espiritual não opera sem santidade.
A Bíblia nos mostra isso de forma clara em Atos 19. Alguns tentaram usar o nome de Jesus sem viver uma vida alinhada com Ele. Usaram o nome certo, mas com a vida errada, e o resultado foi derrota espiritual. O nome de Jesus carrega toda autoridade, mas autoridade espiritual não flui em vidas que negligenciam a santidade.
Em Zacarias 3, vemos o sumo sacerdote Josué com vestes sujas sendo acusado por Satanás. As vestes representam a condição espiritual. E é o próprio Deus quem ordena a troca das vestes. A santificação começa na graça do Senhor e se completa na nossa disposição de sermos tratados, purificados e restaurados. Quando Deus limpa as vestes, Ele devolve a dignidade, restaura a autoridade e derrama novamente o óleo.
Santidade não tem a ver com perfeição, mas com tratamento. Deus não procura pessoas impecáveis, mas corações ensináveis, submissos e obedientes. Quando há arrependimento e santificação, Deus silencia o acusador e restaura a autoridade espiritual.
Jesus nos dá o maior exemplo disso. Em Lucas 4, Ele entra no deserto cheio do Espírito Santo, mas sai de lá no poder do Espírito. O que aconteceu nesse processo? Vitória em santidade. Santidade gera fluxo de unção. Não busque poder sem santidade. Não busque autoridade sem santidade. Isso sempre termina em problemas.
A Palavra ainda nos alerta em Eclesiastes 10:1 que uma pequena mosca é capaz de estragar todo o perfume. O óleo representa a unção, o perfume representa o testemunho e a mosca representa a negligência. Quando negligenciamos a santidade, abrimos brechas que mancham nosso testemunho e fazem o perfume se perder.
O salmista declara: “Unges a minha cabeça com óleo” (Salmos 23:5). O óleo também simboliza proteção. Não podemos perder o óleo, nem o perfume de Cristo em nossas vidas.
Por fim, precisamos entender que a salvação é completa e acontece em três tempos:
– Justificação (passado)
– Santificação (presente)
– Glorificação (futuro)
Se estamos vivos hoje, o tempo que estamos vivendo é o da santificação. Não buscamos santidade para sermos salvos. Buscamos santidade porque já fomos salvos. Essa é a vontade de Deus para nós.
Como diz a Palavra: “Pois esta é a vontade de Deus: a santificação de vocês” (1 Tessalonicenses 4:3).
A santidade não nos exclui do mundo, mas nos separa para Deus enquanto ainda estamos nele. Santidade ao Senhor.