Quero compartilhar com vocês uma palavra que o Senhor colocou fortemente no meu coração, baseada em Lucas 24, na história dos discípulos a caminho de Emaús. É uma passagem conhecida, mas profundamente atual, especialmente para nós que vivemos dias de frustrações, expectativas quebradas e decisões tomadas a partir da dor.
Jesus já havia morrido havia três dias. A ressurreição já tinha acontecido, mas aqueles dois discípulos não conseguiram crer. Eles estavam decepcionados, frustrados, confusos. Aquilo que eles esperavam de Jesus não aconteceu do jeito que imaginaram. E, por causa disso, eles decidiram mudar o caminho. Saíram de Jerusalém — lugar de paz e propósito — e foram para Emaús, em busca de outra fonte.
Quantas vezes nós fazemos o mesmo?
Idealizamos algo para nossa vida, nosso ministério, nosso casamento, nosso futuro… e quando as coisas não acontecem do nosso jeito, ficamos frustrados. A frustração, quando não é tratada, fecha os nossos olhos espirituais. Foi exatamente isso que aconteceu com aqueles discípulos: o próprio Cristo ressuscitado estava caminhando com eles, mas eles não conseguiram reconhecê-lo.
Eles descrevem Jesus apenas como “um profeta poderoso em palavras e obras”, mas já não O reconheciam como o Messias. A frustração havia reduzido a visão que tinham de Cristo. E isso é perigoso. Quando esperamos que Deus faça algo que Ele nunca prometeu, acabamos nos decepcionando com Ele — mesmo Ele sendo fiel o tempo todo.
Mas a misericórdia do Senhor é maravilhosa. Jesus não os abandonou no caminho errado. Ele se aproximou, caminhou com eles e perguntou: “O que vocês estão conversando? Por que estão tristes?” Mesmo sabendo de tudo, Ele quis ouvir o coração deles.
E então, Jesus faz algo tremendo: começa a explicar as Escrituras. A Palavra diz que Ele começou por Moisés e passou por todos os profetas, mostrando que toda a Escritura apontava para Ele. Não há santidade sem a Palavra revelada. Não há olhos espirituais abertos sem a Palavra viva operando em nós.
A santidade não é um comportamento isolado, é fruto de uma vida alinhada com a Palavra. Muitos leem a Bíblia, mas poucos permitem que ela gere revelação e transformação. Jesus não abriu os olhos daqueles discípulos imediatamente. Primeiro, Ele aqueceu o coração deles com a Palavra.
Chega um momento em que eles chegam a Emaús, e Jesus faz como quem vai seguir adiante. Ali havia uma decisão: caminhar com Jesus ou seguir sozinhos. E eles O convidam para ficar. Eles se sentam à mesa.
É na mesa que os olhos se abrem.
É na comunhão que Cristo se revela.
É no partir do pão que eles finalmente reconhecem Jesus.
Quando Ele parte o pão, os olhos deles se abrem — e Jesus desaparece. Não porque foi embora, mas porque agora Ele estava neles. A Palavra tinha sido revelada, o coração tinha sido alinhado, e o caminho precisava ser corrigido.
Na mesma hora, eles se levantam e voltam para Jerusalém. A rota é restaurada. A esperança é renovada. A frustração é curada. Eles retornam para o lugar do propósito.
Eu creio que o Senhor está fazendo isso conosco hoje. Restaurando sonhos, alinhando expectativas, abrindo olhos espirituais e nos chamando de volta para Jerusalém. Não é tempo de buscar outras fontes. Não é tempo de águas mornas. É tempo de repartir o pão, viver a comunhão e cumprir o propósito.
Que o Senhor alinhe o nosso coração com o dEle, abra os nossos olhos pela Palavra e nos conduza novamente ao centro da Sua vontade. Amém.