A paz do Senhor, irmãos.
Hoje eu quero compartilhar uma palavra que falou profundamente ao meu coração enquanto eu a preparava. Confesso que fui o primeiro a ser ministrado por este tema, porque ele trata de algo essencial para a nossa caminhada cristã: o temor a Deus como caminho da santificação.
Baseamos nossa reflexão em Eclesiastes 12:1-14, especialmente na conclusão que Salomão apresenta ao final do livro:
“Agora que já se ouviu tudo, aqui está a conclusão: Tema a Deus e obedeça aos seus mandamentos, porque isso é o essencial para o homem.” (Eclesiastes 12:13)
Salomão, considerado o homem mais sábio que já viveu, depois de experimentar riquezas, poder, prazeres, conhecimento e fama, conclui que o essencial da vida não está em nada disso, mas em temer a Deus e guardar os Seus mandamentos.
O que significa temer ao Senhor?
É muito importante começarmos entendendo o que não é o temor do Senhor. Temer a Deus não é viver com medo dEle. Não se trata de pavor, nem de uma relação baseada no medo do inferno ou na insegurança espiritual. Uma relação construída sobre medo é doentia e produz afastamento.
O temor bíblico é reverência, honra, respeito profundo, reconhecimento da grandeza e da soberania de Deus. É dar a Ele o lugar de glória que Ele merece.
Provérbios 9:10 nos ensina que “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria”. Isaías 33:6 afirma que o temor do Senhor é a chave do tesouro da salvação, da sabedoria e do conhecimento. Isso nos mostra que não há acesso às riquezas espirituais sem que haja temor.
O medo afasta, mas o temor aproxima. Quando Adão pecou, ele se escondeu porque estava com medo. Antes do pecado, havia intimidade; depois do pecado, houve fuga. O temor verdadeiro, porém, produz o contrário: ele nos conduz à comunhão, à intimidade e ao desejo sincero de agradar ao Senhor.
O temor define a quem servimos
Nós servimos àquilo que tememos. Quando tememos mais a opinião das pessoas do que a Deus, nossas atitudes são moldadas pela aprovação humana. Vemos isso quando Pedro, em Gálatas 2, muda seu comportamento por temor aos homens. O temor errado gera hipocrisia; o temor correto gera firmeza e integridade.
Quem teme ao Senhor vive em constante autoexame. Está atento não apenas às atitudes externas, mas também aos pensamentos, intenções e omissões. O temor nos leva a buscar agradar a Deus no secreto, quando ninguém está vendo.
Salmos 25:14 declara que o Senhor confia os Seus segredos aos que O temem. Isso revela que o temor está diretamente ligado à intimidade. Deus compartilha Seus propósitos com aqueles que O honram.
O panorama de Eclesiastes: a vaidade da vida sem Deus
O livro de Eclesiastes faz parte dos livros poéticos e sapienciais da Bíblia. Muitos não dão o devido valor a essa categoria, mas ali encontramos orientações profundas para uma vida de santidade.
Salomão teve tudo o que muitos consideram como sinônimo de sucesso: sabedoria extraordinária, domínio político, riqueza incomparável, construções grandiosas, reconhecimento internacional. No entanto, repetidamente ele afirma que tudo isso é “correr atrás do vento”.
Ele aborda temas como:
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A busca por satisfação;
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A vaidade das riquezas;
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A instabilidade da fama;
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A corrupção;
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A limitação da sabedoria humana;
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O envelhecimento e a morte.
Em Eclesiastes 3, ele ensina que há tempo para todas as coisas. Em Eclesiastes 5, fala sobre reverência na prática religiosa. Em diversos momentos, mostra que nem sempre os fortes vencem, nem os sábios prosperam como se espera.
Depois de experimentar tudo, ele conclui que nada disso preenche o coração humano. O verdadeiro sentido da vida está em reconhecer o Criador e viver em obediência a Ele.
Santidade é construída no cotidiano
A santidade não é algo restrito a momentos extraordinários de culto. Ela é construída diariamente. É no trabalho, na faculdade, na família, nas decisões que tomamos quando ninguém está nos observando.
Hebreus 12:14 é claro ao afirmar que “sem santidade ninguém verá o Senhor”. Portanto, não se trata de uma opção secundária, mas de uma condição indispensável para a vida com Deus.
O temor produz santidade porque nos lembra constantemente de quem Deus é. Ele é Pai, mas também é justo Juiz. Ele é amor, mas também é fogo consumidor. Quando compreendemos Sua grandeza, nosso comportamento muda.
Um alerta à juventude
Salomão faz um apelo direto aos jovens: “Lembre-se do seu Criador nos dias da sua juventude.” Na juventude, acreditamos que temos tempo de sobra e que nossas escolhas não trarão consequências. No entanto, o tempo passa, o corpo envelhece e as decisões feitas na mocidade produzem frutos ao longo da vida.
Quantas pessoas gostariam de voltar atrás para fazer escolhas diferentes? Mas o tempo não retrocede. Por isso, quanto antes decidirmos viver em santidade, melhor será nosso presente e nosso futuro.
O temor do Senhor nos protege de decisões precipitadas e de caminhos que trazem dor.
Amor sem temor não sustenta uma vida santa
Há um testemunho marcante de um pastor que foi grandemente usado por Deus, mas que caiu em pecado. Quando lhe perguntaram se ele havia deixado de amar a Deus, ele respondeu que nunca deixou de amar, mas que perdeu o temor.
Isso nos ensina algo profundo: amar a Deus é essencial, mas o amor precisa ser acompanhado de reverência e honra. O amor sem temor abre espaço para a negligência espiritual.
A igreja que Deus deseja levantar
Deus não está interessado em igrejas que funcionem como clubes sociais. Ele busca uma igreja que viva em santidade, que O glorifique não apenas no templo, mas no secreto.
Não haverá grande mover de Deus sem temor. Não haverá avivamento enquanto não houver posicionamento. O temor do Senhor nos eleva a outro nível espiritual, porque nos alinha ao caráter e à vontade de Deus.
Quando compreendemos a grandeza do Senhor — Aquele que sustenta os oceanos e governa o universo — entendemos que Ele é digno de toda honra, reverência e obediência.
Conclusão
Depois de ouvir tudo, depois de considerar todas as experiências da vida, a conclusão permanece a mesma: temer a Deus e guardar Seus mandamentos é o essencial.
O que dá sentido à vida não é dinheiro, fama ou prazer. É viver no temor do Senhor.
Que possamos amar a Deus, mas também honrá-Lo. Que possamos viver em santidade no secreto e no público. Que o temor do Senhor seja a base da nossa caminhada cristã.
Porque o temor a Deus é, verdadeiramente, o caminho da santificação.