Eu amo chamar Deus de Pai. Depois que meu pai partiu, descobri dentro da carteira dele um papel com alvos de oração, e lá estava o meu nome. Saber que meu pai orava por mim marcou a minha vida. Hoje, quando digo “Pai” na oração, a saudade se acalma e o consolo me visita. Quero falar sobre isso: oração.
Aprendi, pela Palavra, que a oração é mais do que pedidos; é ativar uma ligação com o Deus vivo. Jesus nos mostra três atos que moldam nossa vida de oração (Mt 7:7; Lc 11:9): pedir, buscar e bater. E quero caminhar por eles, avançar ao poder da intercessão, e terminar com um chamado prático para uma vida incendiada de oração.
1) Três atos da oração: pedir, buscar e bater
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Pedir: há coisas no mundo espiritual que se recebem quando apresentamos nossas petições diante de Deus com perseverança. O tempo é dEle, mas a oração é ouvida.
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Buscar: quando só pedir não resolve, é hora de mudar o nível. Buscar exige movimento: jejum, constância, deslocamento do coração. Jesus nos orienta: “Busquem, em primeiro lugar, o Reino de Deus” (Mt 6:33). E onde está esse Reino? Jesus respondeu: o Reino de Deus está em nós (Lc 17:20-21). Quando tiro meu ego do trono e coloco o Espírito Santo no centro, estou buscando o Reino – e as demais coisas são acrescentadas.
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Bater: há portas que só se abrem quando batemos com autoridade espiritual. Aqui é joelho no chão, lágrimas, jejum, sacrifício. Bater é travar a batalha certa, do jeito certo, com a Palavra certa.
2) O poder da intercessão: a oração que Deus ouve “diferente”
Interceder é orar sem egoísmo. É quando o coração se move pelo outro. Conto um quadro da vida real: um pai puniu o filho mais velho; na véspera do futebol, o menor pediu: “Pai, perdoa meu irmão para irmos juntos?”. Aquele pedido quebrantou o coração do pai. O Espírito Santo me disse: “É assim que o Pai sente quando um filho intercede por outro”.
A Bíblia confirma:
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Salomão não pediu riquezas, pediu sabedoria para servir o povo – e Deus lhe deu além (1Rs 3:5-12).
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Ana mudou sua oração: se Deus lhe desse um filho, ela o consagraria. Nasceu Samuel, que ungiu reis e preparou a linhagem de Jesus (1Sm 1:11).
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Jó orou pelos amigos e Deus virou o cativeiro, dando-lhe em dobro (Jó 42:10).
Interceder abençoa o outro e, de forma soberana, Deus também muda nossa própria história.
3) Experiências que moldam minha linguagem com Deus
Tenho aprendido a ser prudente no que peço, porque Deus leva a sério nossas orações. Pedi que Ele abrisse e fechasse portas – e Ele fechou algumas que eu não esperava. O Espírito Santo me lembrava: “Você orou por isso; aguente o processo”.
Numa madrugada, agradeci a Deus por estar com vigor renovado e o Espírito falou ao meu coração: “Pede-me terras de gigantes”. Como Calebe, que, aos 85, declarou ter a força da juventude e pediu Hebrom, a terra dos gigantes (Js 14:12), entendi que o Senhor me chamava para batalhas maiores – não por prosperidade, mas por ministério, dons e crescimento espiritual.
Quero te incentivar: não espere vontade para orar. Ore sem vontade, e a vontade virá. Acorde a madrugada, faça da pausa de cinco minutos o seu altar. Quem conversa muito com Deus tem a fala moldada para conversar bem com as pessoas. Oração é combustível de fogo. Já vi orações interromperem obras das trevas e incendiarem a atmosfera sobre casas, cidades e nações.
Meu clamor por você hoje é simples e direto: que o Espírito Santo gere em você um desejo insaciável de orar. Que “pedir, buscar e bater” deixem de ser frases decoradas e se tornem estilo de vida. Vamos dobrar os joelhos, buscar o Reino dentro de nós e bater com a autoridade da Palavra – e veremos portas se abrirem.