Abra sua Bíblia em Mateus 5. Trago esse peso no coração porque, como pastor, vejo quantos de nós estamos vulneráveis quando nos afastamos da Palavra. Mentes carentes de Bíblia se tornam terreno fértil para falsos profetas. Por isso insisto: leia a Bíblia. Não é para me agradar; é porque a Palavra cura, amadurece e alinha. Cada vez que a leio, descobro algo novo — e, curiosamente, os “erros” que encontro não estão nela, estão em mim.
Jesus nos lembra duas verdades simples e poderosas sobre nossa identidade e missão:
1) Eu sou o sal da terra.
Se os relacionamentos estão azedos, com mau cheiro — casamento, família, amizades — é falta de sal. O sal aqui é a essência da Palavra em mim, que produz:
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Maturidade: a vida cristã não é parque de diversões, é campo de batalha. Sem Bíblia, eu fico imaturo, ofendo e me ofendo por nada. Com Bíblia, entendo os processos e suporto as pressões.
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Crescimento: “quando eu era menino…”. Em Cristo eu preciso melhorar como marido, pai, amigo e servo. Não dá para chegar a 2025 sendo o mesmo de cinco anos atrás.
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Equilíbrio: continuo com meu temperamento, mas sob domínio do Espírito. Menos pavio curto, mais domínio próprio.
Ser útil no Reino não é buscar visibilidade; é interceder pela igreja, evangelizar, trazer gente para Cristo, servir no que for necessário. Quem quer palco, mas não quer quebrar o joelho em oração, ainda não entendeu o básico.
2) Eu sou a luz do mundo.
A intensidade da minha luz revela a quantidade de “azeite” (a presença do Espírito) dentro de mim. Luz atrai insetos — críticas, ataques, injustiças — mas a lâmpada não apaga por causa disso; continua brilhando. E uma vela não perde nada ao acender outra. Minha missão é transbordar luz: em casa, no trabalho, na rua, onde eu passar.
Se o mundo está em trevas, a responsabilidade é nossa. Não existe trevas, existe ausência de luz. Se a minha candeia estiver cheia, Cristo aparecerá mais na minha vida do que nas minhas palavras. Gente cheia de Deus muda ambientes — às vezes sem dizer uma frase. Esse é o Evangelho que transforma: não por medo, mas por amor.
Também preciso admitir algo duro: muitas vezes reduzimos o Evangelho para ganhar gente. Isso atrai multidões, mas não forma igreja. Cristo sendo formado em mim é o que valida meu louvor, meus dons e meu serviço. Sem caráter, talento é barulho.
Então, qual é a missão e o propósito da Igreja? Ser sal que preserva e cura. Ser luz que dissipa e guia. Formação de caráter à semelhança de Cristo, testemunho visível, vida no Espírito e compromisso com a Palavra. Quero construir “estradas” pelas quais a próxima geração trafegará com segurança: posso dar escola, inglês, esporte aos meus filhos — e darei —, mas se eu não ensinar temor e amor a Deus, falhei no principal.
Hoje, minha oração é: “Espírito da Verdade, enche a minha candeia. Dá-me maturidade, crescimento e equilíbrio. Faz de mim sal com sabor e luz com intensidade.” No mundo teremos aflições, mas seguimos com bom ânimo, cruz nas costas e olhos no Senhor. Vamos viver nossa missão: salgar e brilhar até que as trevas se calem diante da luz de Cristo em nós.