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MINISTRAÇÕES QUE TRANSFORMAM VIDAS

Travessias – O olhar que sustenta a fé

Celebração | 19h

Pra. Sandra Ribeiro

Graça e paz, igreja.

Ao longo da minha caminhada com o Senhor, eu tenho compreendido algo que se torna cada vez mais claro: Deus é absolutamente intencional. Ele não age de forma aleatória, não trabalha com improvisos e não permite que circunstâncias escapem ao Seu controle. Se estamos em determinado lugar, vivendo determinado momento, é porque há um propósito soberano sendo desenvolvido. Por isso, se hoje estamos reunidos, é porque o Senhor deseja nos ensinar algo específico a partir da Sua Palavra.

O tema que quero desenvolver é: Travessias – o olhar que sustenta a fé. Para isso, vamos considerar duas experiências marcantes do povo de Israel: a travessia do Mar Vermelho (Êxodo 14) e a travessia do Rio Jordão (Josué 3). Essas duas passagens não são apenas eventos históricos; elas revelam princípios espirituais que continuam válidos para a nossa vida cristã.

A Bíblia como fundamento e lente espiritual

Antes de entrarmos diretamente nas travessias, é importante reafirmar algo fundamental: a Bíblia é verdade. Independentemente das interpretações culturais ou tradições religiosas que herdamos ao longo da história, a Escritura é a revelação de Deus para nós. Cada narrativa bíblica foi registrada com propósito pedagógico e espiritual.

Por isso, quando lemos a Palavra, precisamos fazê-lo com dependência do Espírito Santo. Não devemos nos aproximar do texto apenas com pressupostos humanos ou tradições recebidas, mas pedindo que o próprio Espírito nos dê entendimento. Quando fazemos isso, a Palavra deixa de ser apenas informação e passa a ser transformação.

A primeira travessia: o Mar Vermelho – o processo de libertação

O contexto da travessia do Mar Vermelho é o fim de um longo período de escravidão. Israel permaneceu cerca de quatrocentos anos no Egito. Deus levantou Moisés, enviou as pragas e finalmente conduziu o povo para fora da opressão.

Contudo, a libertação não se encerrou na saída do Egito. O momento crítico ocorre quando o povo se encontra diante do Mar Vermelho, com Faraó e seu exército vindo atrás. Êxodo 14:10 registra que os israelitas ficaram apavorados.

Aqui encontramos o primeiro princípio: o processo de libertação envolve confronto com o medo.

A libertação não é apenas geográfica; ela é interior. O povo saiu do Egito, mas o Egito ainda estava dentro deles. Muitas vezes, também saímos de determinadas situações – pecados, ambientes, ciclos destrutivos – mas ainda carregamos marcas emocionais e mentais dessas experiências.

Diante do mar, Israel se viu encurralado. À frente, uma barreira aparentemente intransponível; atrás, o inimigo determinado a trazê-los de volta. Essa tensão revela uma verdade espiritual: o processo de libertação exige confiança radical em Deus.

É importante distinguir medo de pânico. O medo é uma reação humana natural e pode até nos proteger. O problema surge quando o medo se transforma em pânico e paralisa nossa fé. O pânico revela que estamos olhando mais para as circunstâncias do que para o Deus que prometeu.

Outro aspecto crítico é a murmuração. Quando o povo começou a reclamar, demonstrou que sua percepção de Deus estava distorcida. A murmuração é, espiritualmente, uma declaração de incredulidade. Ela enfraquece a confiança e abre espaço para retrocessos.

Deus, porém, agiu de forma soberana. A coluna de fogo se posicionou entre Israel e o exército egípcio, o mar se abriu, e o povo atravessou a pé enxuto. Essa travessia foi longa, complexa e exigiu tempo. Não foi um evento instantâneo, mas um processo conduzido por Deus.

Em Êxodo 13:17 aprendemos outro princípio importante: Deus não levou o povo pelo caminho mais curto. O texto afirma que, se enfrentassem guerra imediatamente, poderiam desistir e voltar ao Egito.

Isso nos ensina que, muitas vezes, o que interpretamos como demora é, na verdade, misericórdia. Deus conhece nossa estrutura emocional e espiritual. Ele sabe o que ainda não estamos preparados para enfrentar. O caminho mais longo pode ser o caminho mais seguro.

Portanto, a travessia do Mar Vermelho representa o processo de libertação. É um processo mais extenso, mais doloroso e profundamente transformador. Nele, Deus age de forma decisiva para romper cadeias e iniciar uma nova história.

A segunda travessia: o Jordão – o tempo da promessa

Quarenta anos depois, uma nova geração chega diante do Rio Jordão. Agora o contexto é diferente. Não se trata mais de sair da escravidão, mas de entrar na promessa.

Aqui encontramos um contraste teológico significativo. No Mar Vermelho, Deus abriu as águas antes que o povo avançasse. No Jordão, conforme Josué 3, os sacerdotes precisaram colocar os pés na água primeiro. Somente depois disso o rio se abriu.

Esse detalhe revela uma mudança de fase espiritual. Na libertação, Deus intervém de maneira mais direta, porque estamos sendo arrancados de um estado de opressão. Na conquista da promessa, Deus exige participação ativa da nossa fé.

As promessas já foram declaradas. A provisão já foi estabelecida. Mas há um passo que precisa ser dado por nós. Fé, nesse contexto, não é passividade; é obediência prática.

A geração que chegou ao Jordão era diferente daquela que saiu do Egito. Era um povo moldado pelo deserto, disciplinado, treinado para a batalha. Isso mostra que os processos anteriores nos preparam para as próximas etapas.

Jericó: a obediência como estratégia divina

Após atravessar o Jordão, Israel se depara com as muralhas de Jericó. Deus dá uma estratégia que, do ponto de vista militar, parecia irracional: rodear a cidade em silêncio por seis dias e, no sétimo, gritar ao som das trombetas.

Aqui aprendemos que há batalhas que não se vencem por lógica humana, mas por obediência. O silêncio ordenado por Deus revela disciplina espiritual. Nem toda luta exige argumentação; algumas exigem submissão absoluta à direção divina.

Quando as muralhas caíram, ficou evidente que a vitória não veio por capacidade bélica, mas pela intervenção de Deus. Isso reforça o princípio central: quando o olhar está em Deus, a fé é sustentada; quando o olhar está nas muralhas, o medo domina.

O olhar que sustenta a fé ao longo da história

A Bíblia não termina em Josué. A promessa messiânica anunciada em Gênesis se cumpre em Cristo. Simeão, em Lucas 2:30, ao ver o menino Jesus, declara: “Os meus olhos já viram a tua salvação”. Ele não enxergou apenas uma criança; ele discerniu o cumprimento da promessa.

João, em Apocalipse 21:1, declara: “Vi novo céu e nova terra”. Mesmo após perseguições e sofrimento, seu olhar estava fixo na consumação final.

Isso nos conduz ao ponto central da mensagem: onde está o nosso olhar?

Se nossos olhos estão fixos nas circunstâncias – crises financeiras, diagnósticos médicos, instabilidade política – nossa fé oscila. Mas, se nossos olhos estão fixos em Cristo, lembramos que Ele declarou na cruz: “Está consumado”. Tudo o que era necessário para a nossa salvação e para a nossa esperança eterna já foi realizado.

Conclusão: travessias continuam, mas Deus permanece

A vida cristã é marcada por travessias sucessivas. Há momentos de libertação, momentos de conquista, momentos de espera e momentos de batalha. O evangelho não promete ausência de dificuldades; promete presença constante de Deus.

O Senhor não perde o controle da história. Ele é soberano sobre o tempo, sobre os processos e sobre o destino final do Seu povo.

Portanto, independentemente da travessia em que você se encontra hoje, lembre-se:
o Deus que abriu o Mar Vermelho é o mesmo que sustenta você agora;
o Deus que parou o Jordão continua exigindo passos de fé;
o Deus que derrubou Jericó permanece fiel às Suas promessas.

O olhar sustenta a fé.
Se mantivermos os olhos firmes em Jesus, chegaremos à Canaã definitiva, onde toda lágrima será enxugada e a promessa será plenamente cumprida.

Que o Senhor nos dê discernimento, perseverança e um olhar ajustado à perspectiva eterna.

  • Êxodo 14:10 – “Os israelitas ficaram apavorados.”
  • Êxodo 13:17 – “Deus não os levou pela rota da terra dos filisteus, embora fosse o caminho mais curto.”
  • Josué 3:15-16 – “Assim que os sacerdotes que carregavam a arca chegaram ao Jordão e seus pés tocaram as águas, a água que vinha de cima parou de fluir.”
  • Lucas 2:30 – “Pois os meus olhos já viram a tua salvação.”
  • Apocalipse 21:1 – “Então vi novo céu e nova terra.”
  • Mateus 6:34 – “Portanto, não se preocupem com o dia de amanhã.”

Assista à mensagem em vídeo:

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