“Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.”
Quero refletir com você sobre a sabedoria e, especialmente, sobre a sabedoria de confiar no Senhor. O desenvolvimento dessa sabedoria está diretamente ligado à nossa disposição de aprender a Palavra, participar dos cultos, perseverar na oração e cultivar uma vida de comunhão com Deus.
Não podemos tratar o conhecimento bíblico como algo secundário. Quando estamos presentes na Escola Bíblica Dominical, nos cultos de ensino e nos momentos de estudo da Palavra, os fundamentos da nossa fé são fortalecidos. Uma igreja saudável é uma igreja que permanece perto da Bíblia e perto da oração.
Tiago nos ensina que a verdadeira sabedoria não é demonstrada apenas por palavras ou pela quantidade de informações que acumulamos. Ela se manifesta em nosso procedimento, em nossas atitudes e nas obras praticadas com humildade.
A sabedoria que vem do alto é pura, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos. Ela é imparcial e sincera. Portanto, quando falamos sobre o Livro de Provérbios, não estamos falando simplesmente de bons conselhos ou ditados populares. Estamos falando da sabedoria inspirada por Deus para orientar a nossa vida.
Não me apoiar em meu próprio entendimento
Provérbios 3:5 me orienta a não me estribar em meu próprio entendimento. A palavra “estribar” pode parecer antiga, mas transmite uma imagem muito clara.
O estribo é uma estrutura usada como apoio. Em alguns veículos, ele serve para apoiar o pé na hora de entrar. No cavalo, é onde colocamos o pé para subir e nos firmar sobre a sela. Se o estribo estiver quebrado ou não for confiável, a pessoa pode cair e se machucar.
Da mesma forma, quando faço do meu próprio entendimento o principal apoio da minha vida, estou me sustentando em uma estrutura limitada e insegura.
A Bíblia não está dizendo que eu não devo pensar, estudar ou buscar conhecimento. Ela está dizendo que o meu entendimento não pode ocupar o lugar da sabedoria de Deus. Minhas emoções podem me enganar. Minhas impressões podem estar erradas. Aquilo que considero certo pode estar sendo influenciado pelo medo, pela pressa, pela frustração ou pelo orgulho.
Por isso, preciso aprender a colocar o meu entendimento debaixo da direção do Senhor.
Informação, conhecimento e sabedoria
Existe diferença entre informação, conhecimento e sabedoria.
Saber que o tomate é uma fruta é uma informação. O conhecimento, porém, ajuda a compreender que nem por isso devo colocar tomate em uma salada de frutas. A sabedoria vai além: ela me ajuda a usar corretamente aquilo que aprendi, de maneira que minhas escolhas produzam bons resultados e glorifiquem a Deus.
Existem conhecimentos científicos, técnicos e artísticos extremamente importantes. Entretanto, nem todo conhecimento humano conduz necessariamente ao bem. O ser humano pode desenvolver coisas extraordinárias e, ainda assim, usá-las de maneira destrutiva.
A sabedoria do alto é diferente. Ela sempre está relacionada ao caráter de Deus, à justiça, à paz, à misericórdia e aos bons frutos.
O propósito do Livro de Provérbios é justamente nos instruir com sabedoria prática. Ele aponta caminhos para uma vida de retidão, discernimento e temor do Senhor.
Discernimento para separar o que é bom
Discernimento é a capacidade de separar as coisas.
Quando alguém come um peixe, precisa separar a carne das espinhas. A carne alimenta, mas a espinha pode causar um grande problema. Da mesma maneira, na vida espiritual, preciso aprender a identificar aquilo que me edifica e aquilo que pode ferir minha fé.
Nem tudo o que parece bonito é verdadeiro. Nem tudo o que produz emoção vem de Deus. Nem todo conselho que circula nas redes sociais está fundamentado na Palavra. Nem toda frase repetida por muitas pessoas é correta.
Existem provérbios populares que são apresentados como verdades, mas não possuem respaldo bíblico. Um exemplo é a frase: “Deus escreve certo por linhas tortas.” Deus não escreve por linhas tortas. Deus escreve por linhas certas. Nós é que, muitas vezes, não conseguimos compreender imediatamente o que Ele está fazendo.
Por isso, preciso vigiar aquilo que escuto, aquilo que repito e aquilo que alimento em meus pensamentos.
As músicas, as artes, as conversas e os conteúdos que consumo podem funcionar como uma espécie de cola para a mente. Eles ajudam determinadas ideias a permanecer dentro de nós. Quando alimento minha mente com a Palavra, com louvores bíblicos e com aquilo que é edificante, dou ao Espírito Santo conteúdos que podem ser trazidos à minha memória nos momentos de luta.
Mas, quando encho meus pensamentos com coisas que não edificam, o que encontrarei dentro de mim quando chegar a tribulação?
Cristo é um amigo confiável
É sábio confiar no Senhor porque Cristo é um amigo confiável.
Uma criança consegue se lançar nos braços do pai porque acredita que ele irá segurá-la. Ela não calcula todas as possibilidades. Simplesmente confia naquele que conhece.
Há uma história sobre passageiros que estavam em um avião durante uma forte turbulência. Enquanto muitos estavam assustados, uma criança permanecia tranquila. Quando perguntaram por que ela não estava com medo, respondeu: “Meu pai é o piloto.”
Essa é a confiança que precisamos cultivar em Deus.
As adversidades virão. O dia difícil chegará. Em alguns momentos, o medo falará alto, e a insegurança tentará dominar os nossos pensamentos. Poderemos receber um diagnóstico inesperado, enfrentar uma enfermidade, sofrer uma decepção ou passar por uma perda.
Mesmo pessoas que caminham com Deus podem se sentir abaladas diante de situações extremas. Isso faz parte da nossa humanidade. Entretanto, quando me reconecto com Deus, com a Palavra, com a oração e com a comunhão da igreja, minha confiança começa a ser restaurada.
A confiança em Jesus não pode ser superficial, circunstancial ou dividida. Preciso confiar nele de todo o coração.
Permanecer ligado à videira
Jesus disse que Ele é a videira e nós somos os ramos.
Um galho separado da planta não consegue produzir frutos. Ainda que existam pequenas flores ou frutos começando a se formar, eles não se desenvolverão se o ramo for cortado. Isso acontece porque a seiva deixa de circular. A vida não chega mais até aquele galho.
Assim também acontece conosco. Não podemos frutificar se não permanecermos ligados a Cristo.
Às vezes, queremos os frutos de uma vida cristã sem manter comunhão com a raiz. Queremos paz, segurança, discernimento e força, mas deixamos de orar, de estudar a Bíblia e de congregar. Isso não funciona.
Precisamos permanecer na videira verdadeira. É nessa dependência que encontramos vida, direção e capacidade para atravessar os processos.
A prudência que nasce da confiança
Além do discernimento, precisamos de prudência.
O discernimento me ajuda a perceber o perigo. A prudência me leva a agir de maneira cuidadosa diante dele.
Quem conhece os rios da nossa região sabe que algumas arraias ficam escondidas na areia ou no lodo. Como sua aparência se mistura ao ambiente, elas podem se tornar quase invisíveis. A pessoa prudente não entra pisando de qualquer maneira. Ela observa, procura um lugar seguro e toma os cuidados necessários.
A Bíblia ensina que o nosso adversário anda ao redor procurando alguém para devorar. Ele veio para roubar, matar e destruir. Jesus, porém, veio para que tenhamos vida e vida em abundância.
Confiar em Deus não significa viver de maneira descuidada. Pelo contrário, quanto mais conheço a Palavra, mais prudente me torno. Aprendo a reconhecer os perigos e a permanecer sob a direção do Senhor.
O verdadeiro amor lança fora o medo
A confiança em Deus lança fora o medo.
Quando alimento minha mente com a Palavra e com louvores que estão fundamentados nela, essas verdades podem ser lembradas nos momentos mais difíceis. Às vezes, estamos trabalhando ou realizando alguma tarefa e uma canção bíblica começa a surgir em nosso pensamento. Pode ser o Espírito Santo trazendo de volta uma verdade que precisamos ouvir.
O verdadeiro amor lança fora o medo.
Isso não significa que nunca sentirei insegurança. Significa que o medo não precisa governar minhas decisões. À medida que conheço o amor de Deus, entendo que não estou sozinho e que Ele continua comigo.
Confiar na providência divina não significa acreditar que todos os problemas serão resolvidos da maneira que eu desejo. Significa saber que Deus passará comigo pela tempestade, pelo deserto e pelos períodos de cansaço.
Quando penso que não consigo caminhar mais, o Espírito Santo renova minhas forças para dar outro passo.
As cicatrizes também ensinam
Todos nós carregamos cicatrizes. Algumas são físicas; outras estão escondidas na alma.
Tenho uma cicatriz em um dos dedos que surgiu quando eu ainda era criança. Meus pais fizeram pamonha em casa, e eu os vi cortando o milho. Mesmo tendo sido alertado para não tocar na faca, esperei o momento em que todos estavam descansando, peguei aquela faca e tentei fazer o mesmo.
A faca estava muito afiada, e acabei me cortando.
A ferida sarou, mas a cicatriz permaneceu. Ela se tornou uma lembrança de que a desobediência traz consequências.
Algumas cicatrizes nos lembram de escolhas erradas. Outras nos fazem recordar acidentes, enfermidades e processos que não conseguimos compreender completamente. Entretanto, quando confiamos que Deus está no controle, até as nossas cicatrizes podem se tornar instrumentos de ensino.
Os cristãos maduros são pessoas que aprenderam por meio das experiências. Elas atravessaram lutas, carregam marcas e descobriram que Deus continuou presente.
Por isso é tão importante buscar aconselhamento com pessoas maduras na fé. A internet está cheia de conselhos superficiais. Mas os pastores e irmãos que convivem conosco, oram por nós e conhecem a nossa caminhada podem oferecer orientações fundamentadas na Palavra e na experiência com Deus.
Confiar também é não murmurar
Uma das grandes evidências da falta de confiança é a murmuração.
Murmurar é como dizer a Deus: “No seu lugar, eu faria melhor.”
Quando compreendo dessa maneira, percebo a gravidade da murmuração. O povo de Israel foi liberto do Egito, viu milagres extraordinários e, mesmo assim, começou a reclamar. Sentiu saudades dos alimentos do Egito e desprezou o cuidado de Deus no deserto.
Também podemos agir assim. Reclamamos da cidade, do trabalho, da família, do trânsito, do clima e das circunstâncias. Muitas vezes, falamos como se Deus tivesse perdido o controle ou tomado decisões erradas a nosso respeito.
Mas quem sou eu para dizer ao Deus que conhece todas as coisas que faria melhor do que Ele?
Confiar no Senhor é reconhecer que não consigo enxergar tudo. É admitir que os planos de Deus são maiores do que a minha compreensão.
A segurança que vem do Senhor
O salmista declarou:
“Em paz me deitarei e logo pegarei no sono, porque só tu, Senhor, me fazes viver em segurança.”
Para dormir, uma pessoa precisa se sentir segura. Sem segurança, o corpo permanece em estado de alerta.
A verdadeira segurança não está na ausência de problemas, mas na presença de Deus.
Fanny Crosby, uma compositora que era cega desde a infância, escreveu milhares de hinos. Em um deles, declarou: “Que segurança! Sou de Jesus!”
Mesmo sem enxergar com os olhos naturais, ela conseguia contemplar espiritualmente a segurança encontrada em Cristo.
É esse tipo de confiança que precisamos buscar. Uma confiança que nos sustenta quando chegam as ventanias e as tempestades. Uma fé que não depende das circunstâncias, mas do caráter daquele em quem cremos.
Fortalecendo os fundamentos da fé
Quando participamos da vida da igreja, fortalecemos os fundamentos da nossa fé.
Uma construção pode parecer bonita externamente, mas, se o terreno não foi preparado e os alicerces não foram feitos corretamente, cedo ou tarde surgirão rachaduras. As paredes poderão inclinar e toda a estrutura ficará comprometida.
Assim também acontece com a vida espiritual.
Não basta construir uma aparência cristã. É necessário ter fundamentos sólidos. Precisamos estar alicerçados na Palavra, no amor de Deus, na oração, na obediência e na comunhão.
A casa construída sobre a areia não suporta a tempestade. Mas aquela que está firmada sobre a rocha permanece.
Por isso, o cristão que se afasta da comunhão enfraquece uma parte importante da sua vida espiritual. Na igreja, aprendemos, servimos, compartilhamos experiências e somos aperfeiçoados até por meio das diferenças.
Não posso permitir que os defeitos das pessoas me afastem de Cristo. Preciso permanecer ligado ao Senhor.
Uma prática diária de sabedoria
O Livro de Provérbios possui 31 capítulos. Uma prática muito proveitosa é ler um capítulo por dia. Ao longo de um mês, podemos percorrer todo o livro e alimentar a mente com princípios de sabedoria.
Essa não é uma sabedoria arrogante ou simplesmente intelectual. É a sabedoria do alto: pacífica, tratável, misericordiosa e cheia de bons frutos.
Ela nos aproxima de Deus e nos ensina a confiar nele durante os processos da vida.
Quando estou firmado em Cristo, consigo atravessar os invernos, os desertos e as tempestades. Posso até cair, mas não permanecerei no chão. As experiências e cicatrizes me ensinarão que nenhuma luta é maior do que o cuidado de Deus.
Com Cristo, somos fortalecidos. Com Cristo, nossa fé está alicerçada. Com Cristo, podemos continuar caminhando, sabendo que Ele não nos abandonará.
Por isso, confie no Senhor de todo o seu coração. Não faça do seu próprio entendimento o apoio principal da sua vida. Permaneça na Palavra, cultive a comunhão, pratique aquilo que aprendeu e deixe a sabedoria do alto conduzir seus passos.