“O amor deve ser sincero. Odeiem o que é mau; apeguem-se ao que é bom. Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a vocês.”
Romanos 12:9-10
Imagine que você recebesse a certeza de que teria apenas mais um mês de vida. Não seria uma possibilidade, um diagnóstico duvidoso ou uma previsão médica. Você saberia, sem nenhuma dúvida, que teria somente mais trinta dias.
O que você faria?
Com quem gostaria de passar mais tempo? A quem pediria perdão? Quem precisaria ter certeza de que você o ama? Quais problemas deixariam de parecer tão importantes? Quais relacionamentos você tentaria restaurar?
E a pergunta principal é: o que impede você de fazer isso hoje?
A vida passa muito rápido. O ontem já se tornou história, o amanhã continua sendo um mistério e o hoje é o presente que recebemos de Deus. Por isso, não podemos fazer da nossa vida apenas um rascunho, imaginando que sempre haverá tempo para passá-la a limpo.
A questão não é somente viver muitos anos. A questão é viver bem. Todo mundo, em algum momento, morrerá, mas nem todo mundo realmente vive. Há pessoas que apenas sobrevivem, arrastando mágoas, conflitos, culpas e relacionamentos quebrados, sem perceber que a verdadeira riqueza da vida está nas pessoas que Deus colocou ao seu redor.
Os relacionamentos são o que realmente importa
Não importa quanto dinheiro possuímos, onde moramos ou qual patrimônio construímos. O dinheiro não nos abraça, não diz que nos ama, não enxuga as nossas lágrimas e não permanece ao nosso lado nos momentos mais difíceis.
Quem faz isso são as pessoas.
Às vezes, um abraço, uma mensagem, um telefonema ou uma simples demonstração de cuidado muda completamente o nosso dia. Por isso, precisamos compreender que fomos criados para viver em relacionamento.
É claro que relacionar-se não é fácil. Existem expectativas frustradas, decepções, traições, mágoas, mentiras e mal-entendidos. E essas coisas não acontecem somente fora da igreja. Elas também acontecem dentro dela, porque a igreja é formada por gente.
Eu mesmo posso ter frustrado alguém em algum momento. Posso ter deixado de corresponder a alguma expectativa ou ter decepcionado uma pessoa sem perceber. Isso faz parte da nossa humanidade. A vida não é uma linha reta, e ninguém está bem durante as vinte e quatro horas do dia.
Ser cristão não significa viver o tempo todo sorrindo para as paredes ou fingindo que não existem dias difíceis. Significa permitir que Deus trabalhe em nosso caráter, inclusive em meio às dificuldades.
Existem três “cachorros perigosos” que podem deixar feridas profundas em nossos relacionamentos: a ingratidão, a soberba e a inveja. Precisamos tomar muito cuidado com eles.
Também precisamos reconhecer que há pessoas difíceis de amar. Mesmo assim, fomos criados para os relacionamentos. Pessoas podem nos ferir, mas também são pessoas que Deus usa para nos curar.
Por isso, se você tivesse apenas um mês para viver, provavelmente tentaria ser melhor. Procuraria as pessoas que ama, resolveria algumas pendências e demonstraria seus sentimentos. A pergunta é: por que esperar uma notícia ruim para começar a fazer isso?
Por que esperamos as pessoas morrerem para lhes oferecer flores?
A maioria das pessoas afirma valorizar os relacionamentos, mas poucas investem neles verdadeiramente. Os filhos podem começar a parecer um incômodo para a nossa agenda. As reuniões familiares podem se transformar em obrigações. As conversas são adiadas, e os pedidos de perdão ficam para depois.
Relacionamentos exigem investimento. Precisamos dedicar tempo, atenção, cuidado e presença.
O amor possui um preço
O amor não pode ser comprado, mas possui um preço alto: o sacrifício.
Nós amamos, nos casamos e, então, descobrimos que um relacionamento tão íntimo também pode ser doloroso. Criamos filhos, investimos neles e, depois, eles crescem e seguem seus próprios caminhos. Construímos amizades, mas as pessoas mudam de cidade, de emprego ou entram em uma nova fase da vida.
Não deixamos de amar essas pessoas, mas sentimos dor porque já não podemos estar com elas da maneira que gostaríamos.
Isso faz parte da vida.
Relacionamentos fortes não são construídos apenas por grandes acontecimentos. Eles são sustentados pelas pequenas atitudes amorosas praticadas todos os dias. Uma mensagem, um abraço, uma palavra de encorajamento, uma ligação ou um simples “estou lembrando de você” pode parecer algo pequeno, mas significar muito para alguém.
Faça o bem, mesmo que as pessoas se esqueçam. No final das contas, o bem que fazemos não é uma negociação entre nós e os outros. É algo entre nós e Deus.
Quando entendemos isso, deixamos de fazer o bem esperando reconhecimento. Muitas vezes nos decepcionamos porque ajudamos alguém e essa pessoa não agradeceu, não reconheceu ou nem sequer se lembrou. Mas nunca foi apenas entre nós e aquela pessoa. Sempre foi entre nós e Deus.
As pessoas difíceis também nos ensinam
Não importa quanto nos esforcemos, todos teremos de conviver com pessoas difíceis. O caminho mais fácil seria descartá-las. Entretanto, muitas vezes, são justamente essas pessoas que Deus usa para trabalhar em nós.
Existem pessoas que se parecem com diferentes ferramentas.
Pessoas-lixa
A lixa causa desconforto, irritação e desgaste. Porém, no trabalho com a madeira, ela é fundamental para retirar as imperfeições e produzir um acabamento bonito.
Da mesma forma, algumas pessoas entram em nossa vida e nos incomodam profundamente. Elas fazem parte de processos que não são agradáveis, mas que podem nos transformar em instrumentos mais úteis para os propósitos de Deus.
Na hora em que estamos sendo “lixados”, não é fácil. Entretanto, Deus pode usar esse relacionamento para nos tornar mais semelhantes a Cristo.
Pessoas-martelo
As pessoas-martelo costumam impor seus desejos. Entram nos ambientes querendo controlar tudo e fazer as coisas acontecerem à força. Algumas são expansivas e exigentes; outras são sutis e manipuladoras.
Elas acreditam que precisam usar a força para conseguir o que desejam. Entretanto, a Palavra de Deus nos ensina que não é pela força nem pela violência, mas pelo Espírito do Senhor.
A convivência com essas pessoas pode nos ensinar a estabelecer limites, amadurecer e depender da direção do Espírito Santo.
Pessoas-serra
As pessoas-serra sabem exatamente o que dizer para ferir alguém. Durante uma discussão, encontram o ponto mais sensível e usam suas palavras para cortar profundamente.
Elas nem sempre vencem uma discussão porque estão certas. Muitas vezes, vencem porque conseguem enfraquecer emocionalmente a outra pessoa.
Precisamos reconhecer que, em algum momento, nós também podemos agir assim. Podemos utilizar palavras para machucar, humilhar ou atingir o ponto fraco de alguém. Por isso, precisamos vigiar o nosso coração e aquilo que sai da nossa boca.
Pessoas-esmeril
As pessoas-esmeril possuem uma personalidade explosiva. Entram em cena espalhando faíscas por todos os lados.
Por isso, a Bíblia nos ensina sobre o domínio próprio. Não é fácil controlar as emoções, mas precisamos permitir que o Espírito Santo governe nossas reações. Não podemos usar a nossa personalidade como desculpa para ferir os outros.
Dizer “eu nasci assim e vou morrer assim” não é uma demonstração de sinceridade. É uma recusa em ser transformado.
Pessoas-machado
As pessoas-machado arrancam grandes pedaços por onde passam. Suas atitudes e palavras deixam marcas profundas.
Contudo, antes de apenas apontarmos os defeitos dos outros, precisamos examinar a nós mesmos. Em algum momento, podemos ser a lixa, o martelo, a serra, o esmeril ou o machado na vida de alguém.
A questão não é apenas identificar quem nos machuca. Precisamos perguntar se também estamos machucando as pessoas que convivem conosco.
Nossos dias estão contados
Ao acompanhar pessoas que estavam chegando ao fim da vida, percebi que muitas delas finalmente se sentiam motivadas a dizer a verdade e resolver pendências.
Vivi isso de perto com a minha mãe. Durante seus últimos anos, pude perceber o esforço dela para acertar algumas questões do passado com familiares e com pessoas que haviam sido feridas por sua maneira de agir. Algumas situações puderam ser resolvidas. Outras já não tinham mais solução.
Quando nos lembramos de que nossos dias estão contados, começamos a enxergar a vida de outra maneira. A Palavra de Deus nos mostra que os nossos dias e meses estão determinados pelo Senhor. Nós não sabemos quando a nossa senha será chamada.
Por isso, precisamos mudar enquanto existe tempo.
Precisamos buscar ser:
- mais amáveis;
- mais justos;
- mais tolerantes;
- mais gratos;
- mais verdadeiros;
- menos críticos;
- mais agradáveis;
- mais generosos;
- mais compassivos.
Isso tem relação direta com a vida cristã.
Não é a quantidade de versículos que conhecemos nem o número de cultos dos quais participamos que nos torna melhores. O que demonstra a transformação é a maneira como tratamos as pessoas.
Podemos conhecer profundamente a religião e, ainda assim, não possuir compaixão, cuidado, serviço e perdão. O que torna a vida cristã extraordinária é a presença de Deus agindo em nós, fazendo-nos mais humanos e disponíveis para servir.
Precisamos de um encontro que nos transforme
O problema da humanidade nunca foi apenas político, econômico ou educacional. Pessoas muito inteligentes também foram responsáveis por alguns dos planos mais cruéis e destrutivos da história.
A inteligência, por si mesma, não melhora o coração humano.
O que transforma uma pessoa é sua rendição ao Espírito Santo.
Antes de seu encontro com Jesus, Paulo acreditava estar exercendo justiça. Ele prendia, perseguia e consentia com mortes em nome da religião. Era zeloso, dedicado e rigoroso, mas estava completamente equivocado.
No caminho de Damasco, Paulo teve um encontro com o Senhor. Foi um encontro que o derrubou, interrompeu sua caminhada e mostrou que ele havia compreendido tudo de maneira errada.
É desse tipo de encontro que precisamos: um encontro que derrube nossa autossuficiência e mostre que podemos ser excelentes religiosos sem possuir a vida de Deus dentro de nós.
O coração religioso pode desejar justiça a qualquer preço. O coração transformado por Cristo, porém, compreende que, no cristianismo, não matamos por amor. Nós morremos por amor.
Quem ama não busca destruir
Quando José soube que Maria estava grávida, imaginou que havia sido traído. Se ele a denunciasse publicamente, ela poderia ser condenada. Entretanto, por amá-la, decidiu deixá-la secretamente.
Naquele momento, José estava disposto a assumir a imagem de um homem que havia abandonado uma mulher grávida. Ele preferiu carregar a culpa pública a expor Maria à morte.
Esse é o comportamento de quem ama.
Quem ama se entrega. Quem ama protege. Quem ama não procura fazer justiça destruindo o outro.
Davi também demonstrou essa compreensão quando fugiu de Jerusalém por causa da rebelião de seu filho Absalão. Ele possuía um exército poderoso e poderia ter permanecido para lutar. Entretanto, sabia que isso provocaria muito derramamento de sangue e, provavelmente, a morte do próprio filho.
Por isso, Davi saiu da cidade.
Durante a fuga, Simei começou a amaldiçoá-lo. Um dos homens de Davi pediu autorização para matar aquele homem, mas Davi não permitiu. Em vez de se vingar, considerou a possibilidade de Deus estar usando aquela situação para tratá-lo.
Isso revela alguém que não estava dominado pela fome de poder.
Muita religião e pouco cristianismo
Podemos estar cercados de religiosidade e, ainda assim, distantes da essência do cristianismo. Podemos amar a letra, conhecer as histórias bíblicas e cumprir todas as atividades da igreja, mas não permitir que o Espírito de Deus governe nossos relacionamentos.
Eu não tenho razão. Você não tem razão. Nós não temos razão. Nós temos Jesus.
O verdadeiro cristianismo possui marcas claras: compaixão, cuidado, serviço, entrega e perdão.
Diante de Pilatos, Jesus deixou claro que o poder humano não poderia determinar seu destino. Se quisesse, Ele poderia pedir ao Pai uma legião de anjos. Contudo, Jesus não veio ao mundo para matar por amor. Ele veio para morrer por amor.
Essa é a diferença.
A escuridão não vence a escuridão. Somente a luz pode vencê-la. O ódio não vence o ódio. Somente o amor consegue vencê-lo.
Isso é ser igreja.
Comece hoje
Se você tivesse apenas um mês para viver, o que mudaria?
Esta não é uma palavra profética dizendo que alguém morrerá. É uma reflexão para nos lembrar de que a vida é curta e passa rapidamente.
Procure viver da melhor maneira possível. Descomplique a vida. Não transforme pequenos problemas em guerras intermináveis.
Por que permanecer sem conversar com seu marido, sua esposa ou seus filhos? Por que alimentar uma mágoa durante dias, meses ou anos? Se existe algo errado, converse. Se você errou, reconheça. Se precisa pedir perdão, peça. Se precisa demonstrar amor, demonstre.
Eu já cometi o erro de permanecer muitos dias sem conversar com minha esposa depois de uma discussão. Com o tempo, percebi como isso era uma grande tolice. Hoje, não quero mais sustentar esse tipo de comportamento.
Precisamos amadurecer.
Não podemos apenas desejar uma igreja cheia. Precisamos desejar uma igreja formada por pessoas que conheçam a essência do cristianismo. Uma igreja cheia de pessoas bonitas, talentosas e religiosas, mas que não sabem amar, não conseguirá impactar a sociedade.
Por isso, viva melhor a partir de hoje.
Passe mais tempo com quem você ama. Diga às pessoas o quanto elas são importantes. Resolva as pendências que podem ser resolvidas. Perdoe. Peça perdão. Faça o bem sem esperar reconhecimento. Permita que o Espírito Santo governe seu caráter.
Não espere receber a notícia de que possui apenas um mês para viver.
Você tem o hoje.
E o hoje é o melhor momento para começar.